A Reforma Tributária já começou a gerar dúvidas entre empresários de diversos setores, e os representantes comerciais estão entre os profissionais que precisarão acompanhar de perto as mudanças nos próximos anos.
Embora a atividade de representação comercial continue funcionando normalmente, a forma como os impostos serão cobrados passará por alterações importantes com a implantação do novo sistema tributário.
Segundo a diretora da Bazzi Assessoria, Alessandra Bazzi, o principal ponto de atenção não é uma mudança na profissão em si, mas na forma como cada empresa será tributada. “Não existe uma única resposta para todos os representantes comerciais. A reforma traz um novo cenário que exigirá análise e planejamento individual para identificar qual será o melhor caminho para cada empresa”, explica.
Uma das principais dúvidas é sobre o futuro do Simples Nacional. De acordo com Alessandra, o regime não será extinto, mas poderá perder competitividade em algumas situações. Atualmente, muitos representantes comerciais optam pelo Simples por conta da simplificação e da carga tributária reduzida. Porém, com a criação dos novos tributos, CBS e IBS, será necessário reavaliar se permanecer nesse modelo continuará sendo vantajoso. “O Simples Nacional continua existindo, mas o empresário precisará analisar se ele ainda faz sentido para sua realidade. Em alguns casos, pode continuar sendo a melhor escolha. Em outros, não”, afirma.
Outro fator que ganhará peso na tomada de decisão é o perfil dos clientes atendidos. Isso porque muitas empresas passarão a valorizar fornecedores que permitam o aproveitamento de créditos tributários, um dos pilares da Reforma Tributária. Segundo Alessandra, representantes comerciais que atendem empresas enquadradas no Lucro Real ou Lucro Presumido poderão sentir esse impacto com mais intensidade. “As empresas tendem a olhar com mais atenção para a possibilidade de aproveitar créditos. Isso pode influenciar negociações, preços e até a escolha dos prestadores de serviço”, destaca.
Com as novas regras, o Lucro Presumido poderá se tornar uma alternativa interessante para alguns profissionais do setor. A especialista ressalta, porém, que não existe uma fórmula pronta. “Não significa que todos devam migrar para o Lucro Presumido. Cada empresa possui uma realidade diferente. É preciso avaliar faturamento, custos, margem de lucro e perfil dos clientes antes de qualquer decisão”, alerta.
Uma das mudanças mais relevantes da reforma está relacionada ao aproveitamento de créditos tributários. Na prática, despesas ligadas diretamente à atividade empresarial poderão gerar créditos, desde que cumpram os requisitos legais. Entre os gastos que podem entrar nessa análise estão combustível, hospedagem, pedágios e alguns seguros utilizados no exercício da atividade profissional. Por outro lado, despesas pessoais dos sócios continuam sem possibilidade de aproveitamento.
Para Alessandra Bazzi, o momento não é de tomar decisões precipitadas, mas sim de se preparar. Ela recomenda que os representantes comerciais aproveitem o período de transição para revisar seu enquadramento tributário, conhecer melhor seus números e realizar simulações comparando diferentes regimes. “Quem começar a se organizar agora terá mais tempo para identificar oportunidades e corrigir possíveis problemas. A pior decisão é mudar sem planejamento”, afirma.
Entre as principais recomendações para os representantes comerciais estão:
- Revisar o enquadramento tributário atual;
- Mapear os principais clientes;
- Avaliar oportunidades de aproveitamento de créditos;
- Comparar cenários entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real;
- Revisar contratos e formação de preços;
- Elaborar um planejamento tributário para os próximos anos.
Apesar das mudanças previstas, a especialista reforça que a Reforma Tributária não afetará todos os representantes comerciais da mesma forma. Por isso, a orientação é acompanhar o processo de implantação das novas regras e buscar informações para tomar decisões com segurança. “A reforma não exige decisões imediatas, mas exige preparação. Quem entender seus números e planejar com antecedência terá mais condições de manter a competitividade e aproveitar as oportunidades que surgirem”, conclui Alessandra Bazzi.




