Em meio a um cenário econômico cada vez mais desafiador, muitos empresários ainda enfrentam um problema silencioso que impacta diretamente no caixa: o pagamento de impostos além do necessário.
A situação é mais comum do que parece e, na maioria das vezes, não está ligada à falta de conhecimento, mas à ausência de planejamento tributário e à falta de revisão da estratégia fiscal ao longo do tempo.
Empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões por ano, especialmente as enquadradas no Simples Nacional, estão entre as mais afetadas. Pequenos ajustes, que muitas vezes passam despercebidos, podem representar economias significativas ao longo do ano.
De acordo com a diretora da Bazzi Assessoria, Alessandra Bazzi, o problema não costuma estar em um único erro. “Na prática, são várias pequenas ineficiências que, somadas, fazem a empresa pagar mais imposto do que deveria.” Um dos equívocos mais recorrentes entre empresários é acreditar que o Simples Nacional é sempre a opção mais vantajosa. Apesar da proposta de simplificação, esse regime nem sempre representa a menor carga tributária. “Isso é um mito bastante comum. O melhor regime depende da realidade da empresa, como margem de lucro, estrutura de custos, folha de pagamento e tipo de atividade. Escolher sem análise técnica pode custar caro”, explica.
Outro ponto que influencia diretamente no valor dos tributos é o enquadramento da atividade econômica, conhecido como CNAE. Embora muitas vezes tratado como uma etapa burocrática, ele define aspectos importantes da tributação. “O CNAE não é apenas um cadastro. Ele impacta diretamente na forma como a empresa será tributada, podendo resultar em alíquotas mais altas ou até limitar o acesso a benefícios fiscais”, afirma.
No caso das empresas de serviço, a organização interna também exerce papel determinante. A relação entre folha de pagamento e faturamento, conhecida como Fator R, pode alterar significativamente a carga tributária. “Quando não há uma gestão adequada da folha, a empresa pode ser enquadrada em um anexo mais oneroso e acabar pagando até o dobro de imposto. A organização interna também é estratégia tributária”, destaca a diretora.
Mesmo diante dessas variáveis, muitas empresas permanecem anos sem revisar sua estrutura fiscal, mesmo com mudanças no faturamento, na operação ou na equipe. “O ideal é realizar uma revisão ao menos uma vez por ano, ou sempre que houver mudanças relevantes. Sem isso, a empresa pode continuar pagando imposto de forma ineficiente”, orienta. Além disso, oportunidades legais de economia tributária acabam sendo ignoradas, seja por desconhecimento ou pela falta de acompanhamento especializado. “O maior erro é tratar o imposto como algo fixo e inevitável. Na verdade, ele pode, e deve, ser gerenciado de forma estratégica”, reforça.
Com as constantes mudanças no sistema tributário brasileiro, especialmente com a implementação da reforma tributária, o planejamento fiscal passou a ser essencial para a competitividade das empresas. Mais do que cumprir obrigações, o desafio agora é garantir que o valor pago esteja correto, nem a mais, nem a menos. Nesse contexto, a contabilidade assume um papel mais estratégico dentro das organizações. “Nosso trabalho é identificar onde a empresa está pagando a mais e corrigir isso com segurança. A contabilidade precisa ser uma ferramenta de resultado, não apenas operacional”, afirma Alessandra.
Para especialistas, revisar periodicamente a estrutura fiscal deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade. Em um mercado cada vez mais competitivo, pagar imposto além do necessário pode representar perda de margem, redução de investimento e até impacto no crescimento do negócio.




